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Jardins verticais conquistam os grandes centros urbanos

19 de Abril de 2017

Thumb solucoes tecnicas

Melhorar a qualidade de vida nas cidades é um dos maiores desafios ante da super ocupação dos espaços com avenidas, viadutos e grandes edifícios. Os jardins verticais surgem como uma solução para “quebrar” o cinza predominante na paisagem urbana, além de outros benefícios não visíveis, mas igualmente importantes.

Montados em estruturas que são fixadas nas paredes internas ou externas dos prédios, eles formam grandes painéis verdes. Um bom projeto depende da escolha correta da estrutura de suporte, do sistema de irrigação, e da escolha das plantas mais adequadas às condições do clima no local, como o tempo de exposição ao sol e a intensidade dos ventos.

Além de bonitos, os jardins verticais contribuem para melhorar a qualidade do ar por meio da fotossíntese. O sistema é capaz de diminuir os gases poluentes em cerca de 30% e as micropartículas em suspensão em até 60%.

Outra vantagem é que, por ficar afastado da parede, o jardim vertical forma um colchão de ar no espaço entre sua estrutura e a alvenaria que é capaz de melhorar as condições termo-acústicas do edifício. Tudo isso sem passar umidade para a parede.

Impacto

A tecnologia já está sendo utilizada com sucesso em São Paulo, cidade que concentra 42% da população urbana do país e tem área verde por habitante muito abaixo do indicado pela Organização Mundial da Saúde -- 2,6m² contra o ideal de 12,8m².

Uma das regiões mais cinzas da capital paulista, o Minhocão, ganhou pelo menos sete instalações até dezembro de 2016, somando 4.000 m2 de jardim vertical. O que antes eram tristes empenas cegas (paredes sem nenhuma abertura, como janelas), agora são grandes painéis verdes, que revitalizaram a região.

O projeto faz parte de uma iniciativa pioneiro do Movimento 900, com financiamento do grupo Tishman Speyer, por conta de um termo de compensação ambiental.

Transformando a paisagem

A  tecnologia dos jardins verticais já está sendo utilizada em outro projeto de grande impacto em São Paulo, a Avenida 23 de Maio, uma das mais movimentadas da cidade, que vai receber mais de 250 mil mudas em seus paredões e canteiros inclinados.

As espécies vegetais escolhidas possuem maior capacidade de absorção de poluentes e poderão reduzir até 66,8 toneladas de partículas finas e ultrafinas. Por meio de deposição sobre as superfícies das folhas, elas podem absorver não só o dióxido de carbono, mas também partículas poluentes como fumaça, poeira e dióxido de nitrogênio em grandes quantidades. Ao mesmo tempo, o projeto permitirá a reciclagem de 163,7 toneladas de resíduos sólidos na sua construção.

Os resultados são comprovados por estudos científicos sobre o aumento da umidade relativa do ar, diminuição da temperatura atmosférica, menor aquecimento das superfícies construídas, melhoria da qualidade do ar, além do valor de ganho estético e de influência na qualidade de vida das pessoas.

Idealizador do Movimento 90º, o paisagista Guil Blanche comenta: "O Corredor Verde da 23 de Maio, sem ocupar nem um centímetro de solo, vai causar impacto ambiental positivo, em uma das vias mais presentes na vida do paulistano, equivalente à uma floresta urbana de 65 mil m2. Em uma cidade como São Paulo toda nova área verde é uma questão de saúde pública e deve ser encarada como algo urgente."