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Irrigação aumenta a produtividade dos canaviais

30 de Novembro de 2016

Thumb irrigacao

No Brasil de hoje há pouco mais de 1 milhão de hectares de cana irrigados. Com o reaquecimento do setor em 2016, a expectativa é que que em três anos a área irrigada suba para dois milhões de hectares.

 

Nas lavouras de cana que possuem irrigação, é possível produzir mais de cem toneladas por hectare, produtividade mínima para que a atividade seja considerada rentável.

 

Hermes Augusto Guimarães, gerente de uma propriedade de cana 100% irrigada, localizada em uma região com pouca chuva, em Minas Gerais, destaca duas vantagens no uso dessa tecnologia: uma garantia maior do volume de produção e o aumento da produtividade. “Este ano, já colhemos cana de nono corte, produzindo até 120 toneladas por hectare”, conta o gerente.

 

Sob controle

 

Além do fornecimento de água para o bom desenvolvimento das plantas, o controle de pragas e doenças nos canaviais, como a broca e a cigarrinha, também influencia diretamente na produtividade.

 

“A irrigação é uma ferramenta para atingir pragas de solo, que são complicadas de se controlar via aérea. Em vez de entrar com um trator para pulverizar a lavoura, isso pode ser feito pela irrigação”, afirma o pesquisador José Rossato Júnior.

 

Um passo além

 

Para discutir a gestão eficiente do manejo da água em canaviais irrigados, visando o aumento da produtividade, e todas as aplicações dessa tecnologia, representantes do setor canavieiro do Centro-Sul, a maior região produtora do país, se reuniram no 3º Seminário Brasileiro de Irrigação de Cana-de-Açúcar com Água – Irrigacana, realizado em Ribeirão Preto, SP, em outubro.

 

“Hoje em dia, nem se discute mais se a irrigação ou manejo da água são importantes ou não. Todo mundo sabe que é. Agora, é saber como chegar lá e quanto é necessário. Não basta apenas fazer irrigação, é preciso controlar pragas e doenças, saber os manejos corretos no plantio e na colheita, o momento adequado e a melhor forma de nutrição”, analisa Marco Viana, superintendente do Grupo de Irrigação e Fertirrigação em Cana-de-Açúcar (GIFC), entidade que promoveu o seminário.

 

Para Ricardo Pinto, diretor da RPA Consultoria, erros em projetos de irrigação no passado ainda fazem agrônomos e consultores acreditarem que essa ferramenta não é um bom investimento. “A irrigação é um investimento que se paga em menos de duas safras. Temos tecnologias e soluções economicamente viáveis para a implantação de projetos de sucesso de irrigação. E acreditamos que o negócio sucroenergético só vai se manter sustentável quando a produtividade dos canaviais atingir ou superar as 100 toneladas por hectare. Isso só é possível com uso da irrigação”, sustenta o consultor.